Radiação intensa teria feito explosão parecer bem mais brilhante que o esperado
(O Globo) O observatório espacial Chandra, da Nasa, flagrou pela primeira vez raios x da onda de choque de uma supernova escapando do “casulo” de poeira em gás em torno da estrela agonizante. A descoberta abre caminho para explicar porque alguns destes eventos são muito mais brilhantes do que outros.
Detectada em novembro de 2010, a supernova SN 2010jl explodiu no mês anterior na galáxia UGC 5189A, a cerca de 160 milhões de anos-luz da Terra. Em luz visível, a supernova foi aproximadamente 10 vezes mais brilhante do que o esperado para um evento típico de colapso de estrela supermaciça, sendo classificada na recém-criada categoria de supernovas muito brilhantes descobertas por levantamentos óticos do céu.
Um grupo de astrônomos usou então o telescópio espacial de raios x para observar a região em dezembro de 2010 e novamente em outubro de 2011. Na primeira observação, os raios x da onda de choque foram fortemente absorvidos pela densa nuvem de gás e poeira expulsa pela estrela antes de explodir. Já na segunda, a absorção foi bem menor, indicando que os raios x teriam escapado do casulo.
Os dados do Chandra mostraram que a radiação e a onda de choque aqueceram o gás a altas temperaturas – maiores que 100 milhões de graus Celsius. Junto com o espectro em luz visível da supernova, os astrônomos puderam então reconstruir a sequência de eventos que teria feito com que ficasse tão brilhante, com a matéria em torno da supernova tendo sido aquecida e ionizada pelos raios x enquanto a radiação atravessava a nuvem. Embora esse tipo de interação já tivesse sido teorizado antes, ela nunca havia sido observada diretamente.
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